Guia Para Falar Facilmente Com Seus Filhos Sobre Sexo

Guia Para Falar Facilmente Com Seus Filhos Sobre Sexo

Os pais influenciam as atitudes de seus filhos sobre sexo e relacionamentos mais do que eles mesmo imaginam. É um mito que todos os adolescentes desejam evitar falar com seus pais sobre sexo e namoro. Na verdade, muitos jovens querem ter orientação vinda de seus pais.

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Não precisa ser desconfortável

Num novo relatório baseado em pesquisas com mais de 2.000 alunos do ensino médio e universitário nos Estados Unidos, pesquisadores da Universidade de Harvard argumentam que muitos pais se preocupam muito com uma cultura de relacionamento juvenil que realmente não existe. Não apenas poucos jovens fazem sexo casual, mas tambem a maioria nem se interessa por isso.

Em vez disso, os pesquisadores descobriram que adolescentes e jovens adultos sentem-se confusos e ansiosos sobre como desenvolver relacionamentos românticos saudáveis. Pior ainda, eles descobriram que o assédio sexual e a misoginia são comuns entre os jovens, e as taxas de agressão sexual são ainda altas.

Outra pesquisa feita na África do Sul mostrou que o número de crianças e adolescentes que sofrem agressões sexuais por adultos é muito alto, mas poucos eram reportados a polícia.

A solução? Segundo os pesquisadores, os pais precisam ter conversas mais profundas com seus filhos sobre amor, sexo e consentimento, intimidade, privacidade, entre outros tópicos importantes.

Cerca de 70% dos entrevistados disseram que gostariam que seus pais tivessem conversado com eles sobre os aspectos emocionais do namoro. Tendo se concluido que os jovens recebem melhor essa orientação se vier dos pais. A maioria também nunca tinha falado com os pais sobre aspectos básicos do consentimento sexual. Mas muitos pais se sentem inseguros sobre como e quando falar com seus filhos sobre sexo e tudo o que vem junto com ele.

Esta é uma discussão que precisa começar muito antes do início da puberdade. É responsabilidade dos pais falar sobre sexualidade e sexo desde o nascimento dos seus filhos. É importante conversar com as crianças sobre todos os tópicos diferenciados que cercam o sexo – como papéis de gênero, habilidades de comunicação e relacionamentos saudáveis.

A boa notícia é que essas discussões não precisam ser desconfortáveis ​​para os envolvidos.

Fale cedo e frequentemente com seus filhos

É verdade que é estranho para os pais quanto para as crianças, mas realmente deve ser ao longo da infância, ou pelo menos da adolescência que se deve falar sobre a sexualidade e com alguma frequência.

O objetivo é normalizar a educação sexual quando as crianças são pequenas, então falar sobre isso é menos intenso quando as crianças são mais velhas e tornar-se fácil quando eles se tornam adolescentes. Ter uma conversa contínua com nossos filhos torna-se em algo normal e acaba com a estranheza.

“Tornar o tema sexo em algo sem tabús e falar desde cedo provavelmente irá promover a confiança entre você e seus filhos; e isso é muito útil para o futuro, quando eles quiserem vir até você com perguntas.”

Como falar com crianças

É comum os pais ficarem nervosos ao apresentar conceitos sexuais aos filhos quando eles são muito pequenos. Mas uma maneira direta de apresentar essas ideias a crianças é ensinando-lhes os nomes corretos das partes do corpo, em vez de usar eufemismos ou gírias.

Ter a linguagem correta para falar sobre partes do corpo ajuda a reduzir o estigma em torno do sexo e também prepara melhor as crianças para falarem com os pais, conselheiros ou profissionais médicos se houver algum problema.

Os pais também podem tirar proveito da curiosidade natural das crianças. Quando as crianças fazem perguntas, os pais podem “responder em termos muito simples às perguntas feitas”. O que não se deve fazer é surtar porque o assunto surgiu e fazer um discurso de pânico que pode confundir ou aborrecer a criança.

Também é importante falar com as crianças sobre autonomia corporal, consentimento e permissão. As crianças já estarão familiarizadas com o conceito de não pegar nada sem permissão quando se trata de brinquedos. Isso pode se traduzir facilmente em obter e dar permissão com nossos corpos e respeitar os limites quando alguém diz não.

Essa fase é tambem um bom momento para os pais introduzirem discussões sobre gênero – Uma conversa pode ser tão simples quanto perguntar a uma criança com quais brinquedos ela brincava na escola. Os pais podem enfatizar que não há problema em meninos e meninas brincar com os brinquedos que quiserem (bonecas ou carrinhos).

Como falar com pré-adolescentes

Aos 9 ou 10 anos, as crianças devem aprender que seu próprio corpo e o de outras pessoas começarão a mudar em breve, a fim de activar o sistema reprodutivo.

No final dos anos do ensino primário e no ensino médio, também é importante que os pais conversem com os filhos sobre as habilidades de comunicação nos relacionamentos. Embora a maioria das crianças nessa idade ainda não esteja namorando, é importante estabelecer esses blocos de construção para quando, mais tarde, elas se tornarem interessadas ​​em relacionamentos românticos.

Como falar com adolescentes

Estes são os anos em que os pais que tentam discutir sexo com os filhos têm maior probabilidade de ouvir “Eca! Pai, não quero falar sobre isso com você! ” ou “Ugh, mãe, EU SEI!”

Exortamos os pais a não se deixarem influenciar pelos protestos dos filhos de que sabem tudo sobre sexo. Os pais podem lembrar aos filhos que, embora acreditem que já sabem tudo, eles precisam conversar juntos sobre sexo de uma ou de outra maneira. Eles podem perguntar se seus filhos simplesmente os ouvirão, mesmo que eles reclamem, mas ainda estão ouvindo o que os pais dizem.

É importante lembrar que falar sobre sexo não significa apenas falar sobre como evitar a gravidez. Os pais também precisam conversar sobre sexo seguro e ser cuidadosos na maneira como discutem as Doenças de Transmissão Sexual (DTSs). Os pais devem enquadrar as DTSs “como um risco normal para a actividade sexual que eles podem encontrar durante suas vidas”, e não como uma punição. Os pais que anunciam as DTSs como terríveis e destruidoras de vidas podem ter o efeito oposto de afastar os adolescentes sexualmente activos de fazer o teste ou de conversar sobre sintomas ou mal estar que possam estar a sentir.

“É mais produtivo falar sobre DTSs como condições de saúde comuns que devem ser levadas a sério, mas não temidas”.

Como falar sobre masturbação

A masturbação não precisa ser um assunto difícil de conversar com seus filhos. As crianças pequenas, especialmente, podem nem mesmo entender o que significa masturbação. Eles apenas sabem que se tocar é bom.

Com crianças mais novas, os pais podem reconhecer que o toque está acontecendo dizendo algo como: “Eu entendo perfeitamente que seu corpo se sente muito bem”. Então, os pais devem sugerir que esse tipo de toque seja feito em particular e que ele deve ir para o quarto para ficar sozinho.

Quando se trata de filhos mais velhos e masturbação, os pais vão querer continuar a enfatizar que tocar a si mesmo é natural e normal, não sujo. “À medida que as crianças entram na puberdade e o sexo é mais importante para o cérebro, à masturbação pode ser considerada uma opção de sexo mais seguro e uma forma de aprender mais sobre o corpo.”

Simplificando, quando os filhos estão se tocando, é uma oportunidade para os pais ensiná-los, sem fazer julgamentos, que nossos corpos são capazes de muito mais do que apenas reprodução. “Não há nada de errado em sentir prazer”. “Colocar esse conceito em um contexto de fácil digestão e adequado à idade pode ajudar a aliviar seu filho de qualquer vergonha que ele possa ter em relação a isso”.

Falando sobre vida, amor e ética

Haverá muitas oportunidades ao longo da vida de uma criança para falar sobre todos os diferentes aspectos da sexualidade. O mais importante é que os pais abordem esses tópicos com antecedência e com frequência suficiente, para que esse tipo de discussão pareça normal.

Construir uma base para uma comunicação aberta pode facilitar o aprofundamento em aspectos mais complexos da sexualidade que as crianças enfrentarão à medida que envelhecem, como amor, relacionamentos saudáveis, ​​e ética.

Esses elementos-chave estão faltando na conversa que a maioria dos pais e outros adultos têm com os jovens sobre sexo. Para tornar mais fácil para os pais iniciarem essas conversas, elaboramos algumas dicas para você:

Definindo um relacionamento saudável

Quando se trata de amor, recomendamos que os pais ajudem os adolescentes a compreender as diferenças entre atração intensa e amor maduro. Os adolescentes podem ficar confusos sobre se seus sentimentos são amor, paixão ou atração. Eles também podem se sentir inseguros sobre como identificar marcadores de relacionamentos saudáveis ​​e não saudáveis.

Os pais podem orientar os adolescentes com exemplos da mídia ou de suas próprias vidas. Esses marcadores-chave devem girar em torno de se um relacionamento torna ambos os parceiros mais respeitosos, compassivos, generativos e esperançosos.

Definição de assédio e discriminação

Para desenvolver relacionamentos saudáveis, os adolescentes precisam entender o que significa ser respeitoso no contexto de sexo e namoro.

Recomendam que os pais expliquem as crianças e adolescentes como são as formas comuns de misoginia, assédio e agressão, de modo a que estes estejam mais informados e menos expostos a sofrer disso, ou caso sejam vítimas disso que elas se abram e contem facilmente aos pais ou alguem adulto que possam confiar.

O resultado final é que ser uma pessoa ética é uma parte fundamental de um relacionamento saudável – seja um relacionamento sexual ou uma amizade. Quando os pais ajudam seus filhos a entender como ser respeitosos e atenciosos com as pessoas de outros gêneros, e como perceber se essas pessoas não estão a ser agir de forma errada isso pode ajudá-los a desenvolver “relacionamentos responsáveis ​​em todas as fases de suas vidas”.

O controverso

Alguns pais podem se sentir pouco à vontade para discutir sexo e amor romântico com os filhos, mas é importante lembrar que as crianças podem não ter nenhuma outra fonte confiável de informação. A qualidade, precisão e disponibilidade da educação sexual nas escolas é quase nula.

“Não confie no sistema escolar público ou privado para dar ao seu filho as informações importantes de que ele precisa sobre sexo. Você tem que ter essas conversas em casa”.

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Sobre o Autor

Aconchego Conselheiro

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